quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Dúvidas


A comunidade gay é em certo modo uma comunidade que vive à sombra da sociedade. Não posso explicar o motivo pois para mim os gays são pessoa perfeitamente normais cujo interesse sexual se manifesta perante o mesmo sexo.


Contudo eu que me considerava gay, aceitava, participava e motivava os que me rodeavam a fazer parte da minha vida, tenho nos últimos tempos vindo-me a aperceber de que na realidade não sou tão gay quanto isso ou por outras palavras não me enquadro tão fortemente nessa comunidade a que julgava pertenci.
À custa desta descoberta perdi o meu namorado que não entendeu esta eventual mudança ou não aceitação.

Perdi-o quando o amava verdadeiramente e por ele faria tudo o que o mundo me permitisse fazes. A minha vida profissional descambou, a vida familiar estagnou e pior ainda deixei de conseguir sentir-me a mim próprio

A ele que é uma pessoa excepcional dedico todo o meu carinho, amizade, admiração e desejo de que seja feliz e de que tenha uma vida nobre que o mime em todos os sentidos.

Perdi aquele que amava, perdi aquilo que sentia por mim e pior ainda debato-me com a frustração de saber aquilo que sou.

segunda-feira, 16 de Junho de 2008

pulsões de agonia

Nasceu desprovido de tudo, sem pai, com uma mãe que o amava mas não suportava a dor da perda. A família era muita mas dele apenas tinham pena, desde do inicio sentia que era um bibelô que seguravam na palma das mãos com medo que o perdem-se e que naquela família outra desgraça se abatesse.
Os anos iam passando as coisas acontecendo num decorrer de vida dito normal. Era um aluno razoável como tantos outros, tinha caprichos e brincadeiras mas algo era diferente. Lidava com os adultos de forma natural percebendo-os, questionando-os, queria saber sempre mais. Naquela cabecinha de criança fluía uma psicologia de vida contagiante e invulgar, não era sobredotado claro mas algo naquela criança era diferente.
A diferença era visível por alguns tiques e algumas acções, era homossexual, afinal de contas nada tinha de diferente ou questionável mas apenas queriam tapar o sol com a peneira, deixar cair por terra boatos e outras historietas.
Já adulto com uma certa independência aquela criança que respirava vivacidade, tornara-se num ser com frustrações e sentimentos de impotência. Não percebia o mundo onde vivia, a comunidade onde estava inserido e pior ainda não percebia o porquê da discriminação, o ser considerado tabu algo que ele não escolheu, algo em que não se licenciou e para o qual não foi educado.
Porquê eu? Porque me apontam o dedo? Que fiz eu de errado? Estas eram as perguntas frequentes na cabeça daquele indivíduo padecido de uma doença social sem cura.
Usava a exuberância por vezes para demonstrar que existia e não era um bicho que queria comer cada homem que se apresenta-se á sua frente mas em simultâneo via que nenhuma luta, nenhuma marcha, cartaz ou panfleto alguma vez iria modificar a sensação de repúdio e indecência porque aquela comunidade onde haverá sido colocado sem nada reivindicar era conotada.
Procurava um grande amor, sempre em busca do homem ideal, que pensasse com a cabeça, que lutasse por um bem comum, que fosse racional, amigável, enfim todos aqueles sinónimos a que associamos o bem e a perfeição mas…ninguém é perfeito e dai resultavam sentimentos frustrados que o invadiam, que lhe apunhalavam o peito sem piedade e réstia de esperança.
Esta bendita esperança ia e voltava, a impotência surgia e era abalroada por ataques de segurança e prazer…mas lá no fundo o ódio e o rancor invadem os suspiros daquela criatura que ninguém conhece e é igual a todas as outras. Independentemente de tudo o que aconteceu, o que viveu e poderá vir a viver uma pergunta nunca lhe sairá da cabeça:
“Como será possível que nunca comunidade tão descriminada, não haja uma ponta de sentimento e fé?”

domingo, 18 de Maio de 2008

Quando Assumir é o Veredicto

Hoje enquanto discutia os fundamentos da criação deste espaço com um cibernauta, ele entrepôs-se aos meus textos dizendo que eu teria que ser mais criativo de forma a criar no leitor uma motivação e busca interior.
Eu julgo que é esse o fundamento dos meus desabafos contudo tenho que aceitar opiniões e experimentar o teor delas absorvidas.
Há casos e casos e neste texto vou contar um caso que é ou foi um pesadelo para muitos de vocês! O assumir de uma sexualidade socialmente distorcida…
Antes demais acho que é fulcral dizer que a homossexualidade é algo que diz respeito a nós próprios, desta forma é necessário acima de tudo que nos aceitemos antes de qualquer outro acto de bravura.
Do meu ponto de vista os amigos íntimos deveram ser os primeiros a saber da nossa filosofia de vida, chamemos-lhe assim.
Os amigos porquê? São os amigos que nos auxiliam que nos apoiam e ajudam a gerir emoções e posturas face a situações adversas. Também sei que as perguntas são frequentes mas…nada como lhes explicar que não se trata de uma escolha mas que é algo intrínseco, que pertence ao nosso ser e não é capaz de ser modificado e/ou por outro lado poderá ser posto em segundo plano criando em nós sentimentos de frustração.
A família é a nossa maior dor de cabeça; o assumir perante aqueles que nós depositaram esforço e expectativas de uma vida. Mas o necessário é pensar se ao contar a nossa tendência algo irá mudar ou beneficiar a nossa convivência e relação familiar.
No meu caso em concreto, eu sou assumido perante grande parte dos meus amigos e perante aqueles que na minha família considero mais importantes.
Na véspera de natal de 2006 tinha 18 anos, eu estava a passar por uma fase de grande pressão, de chantagem emocional por parte de alguém que consecutivamente dizia que se eu não fizesse isto ou aquilo contaria á minha mãe que eu era gay; como estava farto de circos deixei que a família que considero indispensável á minha sobrevivência estivesse reunida para contar que era homossexual.
A noticia foi recebida em êxtase, a minha mãe chorava a minha tia berrava comigo e minha prima que tinha sido a promotora da minha confissão dizia que era tudo uma brincadeira da minha parte (que lata a dela, depois de tanta chantagem ter feito…adiante). Mas ao invés daquilo que eu próprio esperava não baixei os braços e continuei, disse que tinha uma opção socialmente incorrecta mas que eu não tinha feito nada para ser “diferente”, e que eu iria continuar a ser o mesmo filho e sobrinho de sempre, que nada havia mudado apenas não poderia realizar alguns dos projectos que tinham colocado ao meu encargo como casar…e todos os outros rituais pagãos. Enquanto falava a minha tia retorquia dizendo “tu tens que ir a um médico”, como que eu padecesse de uma patologia sem cura, enfim...
Não posso dizer que o pós-assumir foi fácil pois estaria a mentir. A minha mãe que eu amo e que dedicou toda a sua vida a mim…tentava afectar-me com comentários menos simpáticos, a minha tia com a qual também sinto necessidade de ter uma boa relação proibia-me de ter amigos mas…hoje as nossa vida enquanto família decorre com normalidade embora com alguns percalços á mistura mas…também se não existissem talvez não tivesse piada ser gay!

Vivências Cibernéticas

Como deve ser do conhecimento de todos o mundo cibernético é o maior aliado das relações homossexuais.
Através de chats é possível conhecer o desconhecido.
Na Web qualquer um pode ser o que quiser, sendo desta forma um pau de dois bicos pois lidamos sempre com um fantoche.
Por outro lado os cibersexos e afins são formas que a nossa comunidade encontra para se satisfazer abstendo-se de compromissos, de toques, do real enfim de contacto humano.
Por incrível que pareça seja qual for o motor de amizades online são raros os cibernautas que procuram apenas conversar, sendo estes motores apenas de engate barato.
O que eu gostava de conseguir saber/perceber é o porquê de face a tanta descriminação, ao invés do esperado não se procuram relações e amizades; alguém com perspectivas idênticas que nos pudesse confortar, apoiar quiçá amar.
É deveras difícil assumir um compromisso? Ou temos medo que saibam que somos gays?
Afinal de contas qual é o problema? Escolhemos sê-lo? E além demais para além de nós nos aceitarmos a nós próprios mais alguém necessita de saber?

sábado, 17 de Maio de 2008

HIV - Sida

Todos sabemos ou julgamos saber o que é a Sida.
Um bichinho que se apanha ao estar o nosso sangue em contacto com um outro sangue contaminado, mas saberemos nós o que de facto é o HIV-Sida?
Acho que ninguém sabe o que é, para alem de algo que nos destrói a vida e arranca o mundo debaixo dos pés. Por vezes quando amamos não desconfiamos do nosso parceiro permitindo o acto sexual sem protecção mas…será que podemos nós confiar em quem amamos? Nos amamos o nosso companheiro mas não sabemos se o que ele sente por nós é sincero.
O teste do HIV é gratuito e anónimo podendo este ser feito nos CAD distribuídos pelo país.
[Aveiro Castelo Branco Coimbra Faro Guarda Leiria Lisboa Porto]

Um aparte…sabemos que o HIV-Sida é transmitido sexualmente através do sangue, mas será que sabemos que também o é através de fluidos e sexo oral!?

Pior que isso é pensar ... - quem faz sexo oral com preservativo? Julgo que uma minoria mas…a probabilidade se ser infectado está lá! Pensemos mais com a cabeça do que com o sexo afinal de contas é a nossa vida e saúde que esta em causa.

O porquê da criação deste Espaço

A vida por vezes é ingrata isso todos sabemos. Por vezes sentimo-nos oprimidos, abandonados sem nada nem ninguém. Contudo às vezes olhamos para o lado temos tudo mas não entendemos o porquê de as coisas nos acontecerem. O porquê de nos sentirmos frustrados e impotentes face a determinadas situações.
Eu sou homossexual e para além de ter que viver diariamente a trama social ainda tenho que suportar a frustração de uma comunidade que não se entende, que não tem apoios e pior ainda uma comunidade onde os intervenientes têm medo de se aceitar a si próprios.
Os gays do século XXI são em grosso modo mulheres com pénis, que se balançam no ambiente nocturno em busca de sexo ou exibicionismo, e que, no decorrer social do dia-a-dia se apresentam como bailarinas tempestuosas, ridículas e ignorantes.
Será complicado perceber que um homossexual é uma pessoa que gosta/ ou se sente atraído pelo mesmo sexo que o seu? Não sei…sei que somos conotados e rotulados por onde passamos em prole do pavonear de alguns.
Neste momento não sei quem sou, o que quero nem mesmo que vida é esta que tenho. Sinto-me preso as ideais que são considerados tabus e pior são ridicularizados dando lugar a futilidades.
Estou a criar este espaço para sentir que alguém me lê independentemente de serem poucos a faze-lo. Estou aqui para aceitar criticas e questões para poder ser útil a alguém que se sinta confuso e/ou frustrado com esta sociedade.